Kurmasana
Eu sou a tartaruga
Fábulas
A palavra “fábula” vem do latim. Significa “história” e deriva da palavra ‘fari,’ que significa simplesmente “falar”.
Crescemos ouvindo as fábulas sem nos dar conta que elas foram repetidas pelos nossos pais, que ouviram de nossos avós e assim sucessivamente.
Apesar delas estarem em nossas memórias, não damos credito à sabedoria contida em cada conto, parábola, fábula e nos mitos. Apenas ouvimos e gostamos ou não.
Ao contar as estórias às crianças, tente ser imparcial, deixando o discernimento da criança avaliar a situação da fábula.
Não há heróis, todos fazem parte da mesma energia e são interdependentes. Um personagem não pode existir sem o outro, sem o seu contrário.


ESOPO, O PRIMEIRO CRIADOR DE FÁBULAS
Embora Esopo provavelmente nunca tenha existido, sabemos que ele era amplamente conhecido no mundo da Grécia Antiga. Encontramos referências a ele e à sua vida em Heródoto, Platão, Aristóteles e Aristófanes. Isto demonstra que Esopo era suficientemente conhecido e importante para que estes autores decidissem incluí-lo nos seus escritos, o que só pode ser explicado pelo fato de que a sua vida e suas fábulas serem consideradas material cultural útil e digno de atenção.
Abrangendo séculos e culturas, as fábulas de Esopo reúne uma rica variedade de narrativas, cada uma servindo de veículo para transmitir verdades essenciais e reflexões sobre a natureza humana, a ética e a sabedoria. Estas fábulas resistiram ao teste do tempo devido aos seus temas universais e à relevância duradoura das lições que transmitem.
As fábulas apresentam frequentemente personagens antropomórficas, animais que possuem qualidades e comportamentos semelhantes aos humanos, que servem como canais acessíveis para abordar conceitos complexos.
Através das suas ações, diálogos e interações, estas personagens ilustram virtudes como a honestidade, a bondade, a humildade, a prudência e as consequências de vícios como a ganância, a arrogância e o engano.
Esopo inspirou muitos poetas medievais. As suas coleções de fábulas também influenciou La Fontaine, escritor e fabulista francês. Entre os títulos mais famosos figuram:
AS FRASES DE ESOPO
“Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar.”
“A necessidade é a mãe da invenção.”
“Unidos venceremos; divididos, cairemos.”
“Agradar a todos não agrada a ninguém.”
“Ninguém acredita num mentiroso, mesmo quando ele diz a verdade.”
“Não são apenas as belas penas que fazem belos pássaros.”
“A adversidade testa a sinceridade dos amigos.”
“Uma vez lobo, lobo para sempre.”
“Quem mais sofre é quem menos chora.”
“Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és.”

O espanhol Diego Velázquez pintou um retrato de Esopo datado de 1639-40.
A representação é anacrônica e Esopo, embora talvez não seja considerado bonito, não apresenta nenhuma deformidade física.
EXISTE UMA LENDA SOBRE ESOPO
Esopo era um homem escravizado, nascido mudo e gravemente desfigurado em 620 a.C. (há mais de 2600 anos) na ilha grega de Samos. Um dia, ele foi gentil com uma sacerdotisa do templo da deusa Ísis, o que a deixou feliz. Como recompensa, ela e as Musas presentearam-no com a fala e a capacidade de contar histórias. Acabou por usar essas capacidades para conquistar a sua liberdade e ficou rico e famoso. Em 564 a.C., com 56 anos, Esopo viajou até Delfos e contou algumas fábulas que o povo de Delfos não gostou. Se sentiram insultados o que os enfureceram tanto que o atiraram de um penhasco.
DE ONDE VIERAM ESSAS HISTÓRIAS?
Independentemente de ele ter existido ou não, o folclore em torno de Esopo nos revela muito sobre a antiga tradição de contar fábulas. De acordo com a Enciclopédia da Filosofia da Internet (IEP), atribuir essas histórias a um homem escravizado sugere que elas foram escritas para escravizados, inventadas por escravizados ou ambas as coisas. A IEP explica sua análise com mais detalhes abaixo:
…Por que os escravizados seriam considerados particularmente adequados como criadores e público para fábulas de animais? [...] Primeiro, muitos autores observaram que as fábulas permitem a possibilidade de mensagens ocultas. Elas permitem que os escravizados contem histórias uns aos outros sobre a crueldade da escravidão e como seus efeitos podem ser mitigados ou evitados, sem se comunicarem de uma forma que os leve a serem pegos e punidos por seus senhores. As fábulas também podem fornecer mensagens sobre como sobreviver com sucesso em um mundo onde as probabilidades estão contra você. […] Em segundo lugar, é importante lembrar que, como um escravo feio e incapaz de falar, o próprio Esopo se encontra na fronteira entre o humano e o animal no início de sua vida. Sua condição de escravo, por si só, o marcaria como estando nessa fronteira. […] É somente quando ele atinge o ápice da fama, da riqueza e da influência — quando deixa para trás suas origens como quase mais animal do que humano e ascende da base da hierarquia humana para o topo — que comete os erros de julgamento que o levam à morte em Delfos.
O IEP também argumenta que a história que envolve a vida de Esopo assume uma mensagem fabulista, muito semelhante aos contos que lhe são atribuídos.
Talvez a moral implícita seja: a arrogância leva à ruína?
Leia mais em INTERNET ENCYCLOPEDIA OF PHYLOSOPY
A LEBRE E A TARTARUGA
Esta é a fábula “Le Lièvre et la Tortue” (“A Lebre e a Tartaruga”) em francês, na versão clássica de Jean de La Fontaine, que adaptou a fábula original atribuída a Esopo. Essa é a versão mais conhecida na literatura francesa:

LE LIÉVRE ET LA TORTUE
Rien ne sert de courir ; il faut partir à point.
Le Lièvre et la Tortue en sont un témoignage.
“ Gageons, dit celle-ci, que vous n’atteindrez point
Sitôt que moi ce but.
— Sitôt ? Êtes-vous sage ?
Reprit l’animal léger : ma commère, il faut purger
Avec quatre grains d’hellébore.”
— “ Sage ou non, je parie encore.”
Ainsi fut fait : et de tous deux
On mit près du but les enjeux.
Savoir quoi, ce n’est pas l’affaire,
Ni de quel juge l’on convint.
Notre Lièvre n’avait que quatre pas à faire,
J’entends de ceux qu’il fait lorsque prêt d’être atteint
Il s’éloigne des chiens, les renvoie aux calendes,
Et leur fait arpenter les landes.
Ayant, dis-je, du temps de reste pour brouter,
Pour dormir, et pour écouter
D’où vient le vent, il laisse la Tortue
Aller son train de sénateur.
Elle part, elle s’évertue,
Elle se hâte avec lenteur.
Lui cependant méprise une telle victoire,
Tient la gageure à peu de gloire,
Croit qu’il y va de son honneur
De partir tard. Il broute, il se repose,
Il s’amuse à toute autre chose
Qu’à la gageure. À la fin, quand il vit
Que l’autre touchait presque au bout de la carrière,
Il partit comme un trait ; mais les élans qu’il fit
Furent vains : la Tortue arriva la première.
“ Eh bien ! lui cria-t-elle, avais-je pas raison ?
De quoi vous sert votre vitesse ?
Moi l’emporter ! et que serait-ce
Si vous portiez une maison ? ”

TRADUÇÃO
Não adianta ter pressa; é preciso começar na hora certa.
A Lebre e a Tartaruga são a prova disso.
“Aposto”, disse a tartaruga, “que você não chegará à linha de chegada tão rápido quanto eu.”
“Tão rápido? Você está falando sério?”, respondeu o veloz animal.
“Minha querida, você precisa de uma boa limpeza com quatro grãos de heléboro.”
“Sábio ou não, ainda assim apostarei.”
E assim foi feito: e as apostas foram colocadas perto da linha de chegada para ambos. O que eram as apostas não é o ponto principal, nem qual juiz foi escolhido.
Nossa Lebre tinha apenas quatro passos para dar, quero dizer, aqueles que ela dá quando, prestes a ser pega, escapa dos cães, os manda embora e os faz vasculhar os charcos.
Tendo, digo eu, bastante tempo para pastar, dormir e ouvir para onde o vento sopra, ela deixa a Tartaruga seguir em seu ritmo tranquilo.
Ela parte, esforça-se, apressa-se com lentidão.
Ele, porém, despreza tal vitória, considera a aposta insignificante, acredita ser uma questão de honra partir atrasado. Ele pasta, descansa, diverte-se com tudo, menos com a aposta.
Finalmente, quando viu que o outro estava quase no fim da corrida, partiu como uma flecha; mas seus esforços foram em vão: a Tartaruga chegou primeiro.
“Bem!, exclamou ela, “eu não estava certa? De que lhe adianta a velocidade? Eu ganhei! E como seria se você estivesse carregando uma casa?”
VERSÃO GREGA ANTIGA DE ESOPO
Ἡ χελώνη καὶ ὁ λαγώς
Ἐρίζοντος ποτὲ λαγωοῦ καὶ χελώνης περὶ ταχυτῆτος,
καὶ συνθεμένων ἅμα δρόμον ἡ χελώνη καὶ ὁ λαγώς,
ἐξεκίνησεν ὁ λαγὼς μὲν ταχέως,
ἀμελήσας δὲ τῆς νίκης ἐκάθευδεν ἐν μέσῳ τοῦ δρόμου.
ἡ δὲ χελώνη, βραδέως κινούμενη,
ἀλλ’ ἀκαταπαύστως ἐπορεύετο,
καὶ φθάσασα τὸν λαγῶν ἐτελεύτησε τὸν δρόμον.
Ὁ λαγὼς ἔπειτα ἐξυπνισθεὶς οὐκέτι ἠδυνήθη καταλαβεῖν αὐτήν.
Μῦθος δηλοῖ ὅτι πολλοὶ ἐπιμελέστεροι τῶν ἀμελεστέρων νικῶσιν.
TRADUÇÃO
Num dia, uma lebre e uma tartaruga discutiam sobre quem era mais rápida.
Resolveram fazer uma corrida.
A lebre partiu correndo velozmente, mas, confiante demais na vitória, parou no meio do caminho e adormeceu.
A tartaruga, movendo-se devagar, mas sem nunca parar, continuou seu caminho e acabou ultrapassando a lebre, chegando primeiro à linha de chegada.
Quando a lebre acordou, já não conseguiu mais alcançá-la.
Moral: Os perseverantes costumam vencer os negligentes.
A TARTARUGA
E OS DOIS PATOS
A fábula é uma adaptação de “La Tortue et les deux Canards”, de Jean de La Fontaine, publicada pela primeira vez em 1678. Esta é a versão original em francês conforme aparece na edição clássica de La Fontaine:

LA TORTUE ET LES DEUX CANARDS
(Jean de La Fontaine, 1678 – Livre X, fable 2)
Une Tortue était, à la tête légère,
Qui, lasse de son trou, voulut voir le pays,
Volontiers on fait cas d’une terre étrangère :
Volontiers gens boiteux haïssent le logis.
Deux Canards à qui la commère
Communiqua ce beau dessein,
Lui dirent qu’ils avaient de quoi la satisfaire :
Voyez-vous ce large chemin ?
Nous vous voyons légère, et de fort bonne grâce,
Si vous pouvez vous soutenir
Sur votre bec, tenant en l’air cette trace,
Entre nos deux bouches tenir,
Nous vous ferons voir du village
Et de la ville et du bocage
Ce qu’on y voit d’ordinaire.
La Tortue y consent, et voilà les Canards
Qui la portent entre leurs becs, en l’air,
Le tout allant fort bien jusqu’à ce que des gens,
Voyant passer dans les nues cette espèce nouvelle,
S’écrièrent :
« Oh ! la belle chose à voir ! la merveille !
Les deux Canards et la Tortue ! »
La Tortue, lasse d’être muette, voulut dire :
« C’est moi ! »
Elle lâcha le bâton, et tomba sur la terre.
Cela fut cause de sa mort.
Moralité :
Il ne faut jamais parler
Quand on doit se taire.
TRADUÇÃO
A Tartaruga e os Dois Patos
Havia uma Tartaruga, de espírito leve e curioso,
Que, cansada da sua toca, quis ver o mundo.
Terras estrangeiras são facilmente admiradas,
e pessoas aleijadas facilmente odeiam seus lares.
Dois Patos, a quem a comadre contou esse belo desejo,
Disseram-lhe que poderiam satisfazê-lo:
“Vede este galho comprido?
Se fordes leve, como pareceis, e de boa firmeza,
Segurai-o pelo meio com o bico,
Enquanto nós o seguramos pelas pontas.
Assim, vos levaremos pelo ar,
E vereis do alto vilas, cidades e campos,
Tudo o que há de belo no mundo.”
A Tartaruga aceitou,
E lá se vão os três, no ar, felizes.
Tudo corria bem, até que uns camponeses,
Vendo passar pelos céus tal criatura,
Exclamaram:
“Que maravilha! Vede, vede! Os dois Patos e a Tartaruga!”
A Tartaruga, farta de ficar muda, quis dizer:
“Sou eu!”
Soltou o galho — e caiu por terra.
Foi o fim de sua viagem e de sua vida.
Moral da história:
Há momentos em que o silêncio é a maior sabedoria.
Quem não sabe calar, muitas vezes se perde por falar.
A diferença entre Esopo e La Fontaine é que Esopo conta uma moral simples e direta, com um estilo conciso e moralizante. La Fontaine, escrevendo no século XVII, transforma a história em poesia com ironia, ritmo e diálogo, tornando-a mais literária e satírica.
O PICNIC DAS TARTARUGAS

Essa fábula do “piquenique das tartarugas” é muito conhecida em português e espanhol, mas sua origem não é clássica, como as de Esopo, La Fontaine ou Monteiro Lobato.
Ela pertence ao repertório de parábolas modernas, geralmente usadas em textos motivacionais, livros de autoajuda e palestras sobre paciência, confiança e procrastinação.
A história conta sobre uma família de tartarugas que leva anos para se preparar para um piquenique. Quando tudo está pronto, percebem que esqueceram o sal, e a mais jovem é enviada para buscá-lo — com a condição de que ninguém comerá até ela voltar. Após sete anos, a tartaruga mais velha decide comer, e a jovem, que estava escondida observando, aparece para confirmar sua desconfiança, provando que sua falta de confiança estragou tudo.
O moral da fábula é que a desconfiança e a impaciência podem sabotar nossos próprios esforços — uma crítica à procrastinação, à desconfiança e à falta de fé nos outros.
Origem
Os registros mais antigos conhecidos dessa narrativa aparecem em compilações motivacionais e sermões populares do século XX, especialmente em versões de língua espanhola e inglesa. As versões em inglês são conhecidas como “The Turtle Picnic” ou “The Turtles’ Picnic”,
AFU, A TARTARUGA SÁBIA
Em uma antiga aldeia da África, vivia Afu, uma pequena tartaruga de casco redondo e olhos atentos.
Ela era devagar, mas muito esperta — tão esperta que até os animais mais fortes tinham medo de desafiá-la.
Certa vez, o Rei dos Animais, o leão, reuniu todos e anunciou:
“Quem conseguir trazer-me a comida mais deliciosa, ganhará uma grande recompensa!”
Os animais correram para a floresta.
O macaco colheu frutas doces, o coelho trouxe raízes tenras, mas Afu caminhava devagar, sem pressa.
Os outros riram dela:
“Tartaruga lenta! Nunca chegará a tempo!”
Mas Afu pensava em silêncio.
Ela não tinha força nem velocidade, então foi conversar com o caracol e o passarinho, seus amigos.
Juntos tiveram uma ideia: cada um buscaria um ingrediente e cozinhariam em união.
Quando chegaram ao palácio do leão, Afu apresentou uma sopa perfumada e quente, feita com o esforço de todos.
O leão provou e ficou encantado.
“Esta é a comida mais saborosa que já provei!
Como você, pequena tartaruga, conseguiu preparar algo tão bom?”
Afu respondeu, sorrindo:
“Não precisei correr, Majestade.
Só precisei pensar, ouvir e trabalhar com amigos.”
Desde então, Afu se tornou símbolo da sabedoria e da união.
Nos contos africanos, a tartaruga é sempre quem lembra aos humanos que a inteligência e o respeito valem mais do que a força.

MITOLOGIA
Os mitos são histórias baseadas na tradição. Alguns podem ter origens factuais, enquanto outros são completamente ficcionais. Mas os mitos são mais do que meras histórias e servem a um propósito mais profundo nas culturas antigas e modernas. Os mitos são contos sagrados que explicam o mundo e a experiência humana.
Porque é que o mundo repousa sempre
sobre as costas de uma tartaruga?
O mito da tartaruga cósmica está presente em diversas culturas do mundo há milénios. No seu livro "Investigação sobre a História Inicial da Humanidade e o Desenvolvimento da Civilização", o antropólogo Edward Burnett Tylor escreve que o conceito da tartaruga cósmica terá surgido, provavelmente, na mitologia hindu. Num conto védico chamado Kurma, o segundo avatar do deus Vishnu, que assume a forma de uma imensa tartaruga, servindo de alicerce celestial para o equilíbrio de uma montanha.
Na China, parte da mitologia tradicional da criação envolve uma tartaruga gigante chamada Ao, embora a imagem, neste caso, seja um pouco diferente. Segundo a lenda, a deusa criadora cortou as patas da tartaruga cósmica e usou-as para sustentar os céus, que tinham sido danificados por outro deus. Não chega ao ponto de carregar o mundo às costas, mas ainda assim coloca uma tartaruga no centro do universo, garantindo que o próprio céu não desabe.
O conceito de uma tartaruga mundial parece ter surgido independentemente dentro dos mitos e lendas dos povos nativos americanos. Nas histórias da criação dos povos Lenape e Iroquois, a Terra é criada à medida que o solo é empilhado nas costas de uma grande tartaruga marinha que continua a crescer até carregar o mundo inteiro. Muitas tribos indígenas da América do Norte ainda hoje se referem ao continente como a Ilha da Tartaruga.
A imagem do mundo a ser transportado pelo espaço por uma tartaruga antiga e incrivelmente gigantesca é evocativa, por isso não é difícil imaginar porque é que sobreviveu durante tanto tempo em tantas culturas diferentes.
Mas, no final de contas, porquê tartarugas?
Numa edição de 1974 da revista antropológica Man, o académico Jay Miller apresenta algumas reflexões sobre o que torna a tartaruga uma portadora do mundo tão popular, escrevendo: "Eu considerava a tartaruga uma escolha lógica para tal atlante porque a sua forma e aparência eram adequadas a esse papel."
Mas continua a escrever, especificamente sobre a crença Lenape, que a criatura também refletia aspetos que valorizavam na sua cultura, como a perseverança e a longevidade. E esta idéia não se aplica apenas à tartaruga cósmica na cultura Lenape. "Com uma pesquisa intensiva, a análise acima também deve aplicar-se a outras sociedades que colocam a Terra nas costas de uma tartaruga." A maioria das tartarugas são famosas pela sua longa vida, o que lhes confere uma qualidade sábia e ancestral que se presta à mitificação.
KURMA AVATAR

A história de Kurma, a tartaruga divina, é uma das mais importantes do Hinduísmo antigo, e está profundamente ligada ao mito do Batelamento do Oceano de Leite (Samudra Manthan).
Essa narrativa descreve a origem de muitas forças cósmicas e divindades, e também o nascimento do néctar da imortalidade, chamado Amrita.
A história de Kurma e o Batelamento do Oceano de Leite aparece em várias escrituras antigas da Índia:
Esses textos foram compostos entre 300 a.C. e 500 d.C., mas as tradições orais que os inspiraram são muito mais antigas — datando de pelo menos 3.000 anos atrás, no período védico.
A maioria dos avatares de Vishnu envolve a luta contra o mal. Mas em seu avatar Kurma, seu principal propósito era fornecer apoio e ajuda.
A Lenda de Kurma e o Batelamento do Oceano de Leite
(Samudra Manthan – Mito da Criação do Néctar Divino)
Os deuses (Devas) e os demônios (Asuras) viviam em constante disputa. Um dia, o sábio Durvasa, conhecido por seu temperamento imprevisível, ofereceu uma guirlanda de flores ao rei dos deuses, Indra.
Indra, distraído e orgulhoso, colocou-a no pescoço de seu elefante Airavata, que a jogou no chão.
Ofendido, o sábio amaldiçoou Indra e todos os deuses:
“Perderão sua força, seu brilho e sua imortalidade!”
Assim começou um período sombrio: os deuses enfraqueceram, os Asuras ganharam poder, e o universo mergulhou no caos.
Desesperados, os deuses foram até o Deus Vishnu, o Preservador do Mundo, pedindo ajuda.
Vishnu lhes disse:
“Para recuperar sua força, vocês devem agitar o Oceano de Leite e extrair dele o Amrita, o néctar da imortalidade. Mas para isso, precisarão se unir aos Asuras — pois sozinhos não conseguirão.”
Os Devas e os Asuras concordaram em cooperar.
Eles arrancaram a Montanha Mandara e a usaram como vara de agitação, enquanto a serpente cósmica Vasuki servia de corda. Os deuses seguraram uma ponta da serpente; os demônios, a outra.
E começaram a puxar alternadamente, fazendo a montanha girar. Mas a montanha era pesada — e começou a afundar nas águas.
Então Vishnu desceu das alturas, assumindo a forma de uma enorme tartaruga, chamada Kurma, e colocou a montanha sobre o seu casco, sustentando o peso do universo.
Seu dorso tornou-se o alicerce estável da criação, e o movimento de suas patas manteve o mar em equilíbrio.
Assim, sobre as costas de Kurma, o oceano começou a ferver. Dele surgiram muitos tesouros e seres divinos — não apenas o néctar.
Do oceano nasceram:
Quando o veneno surgiu, seu poder era tão terrível que começou a envenenar o céu e a terra.
Temendo o fim de tudo, os deuses pediram ajuda a Shiva, o Senhor da Transformação.
Com compaixão, Shiva bebeu o veneno para salvar o mundo — e sua garganta ficou azul, dando-lhe o nome Nilakantha (“de garganta azul”).
Somente depois de tudo isso, das águas agitadas surgiu o Amrita, o néctar da imortalidade, trazido em um jarro brilhante pelo deus Dhanvantari, o curandeiro divino.
Quando o Amrita apareceu, os deuses e demônios começaram a brigar por ele.
Vishnu então tomou a forma da bela Mohini, uma mulher divina de encanto irresistível, para distrair os Asuras e entregar o néctar aos Devas.
Assim, os deuses recuperaram sua força e equilíbrio, e o universo foi restaurado.
Simbolismo espiritual
A lenda de Kurma nos ensina que a criação nasce do equilíbrio entre o esforço e a estabilidade, e que antes da sabedoria surgir, é preciso suportar o caos e o veneno da transformação.
Kurma, a tartaruga divina, representa a paciência que sustenta o universo enquanto a vida se agita.
O Legado de Kurma na RELIGIÃO HINDU
Embora Kurma não seja tão amplamente adorado quanto os avatares humanos ou heróicos de Vishnu, a forma de tartaruga possui significado ritual.
Templos como o Templo Sri Kurman em Andhra Pradesh são dedicados a Kurma, onde a divindade é representada como uma tartaruga com um ícone de Vishnu em seu casco.
Nos rituais vedicos, altares em forma de tartaruga simbolizam estabilidade e ordem cósmica, ecoando o papel de Kurma no Samudra Manthan, agitação do oceano de leite.
MINOGAME

Minogame significa literalmente “tartaruga com manto de algas” — de mino (capa de palha ou manto) e kame (tartaruga).
É uma tartaruga mítica que vive milhares de anos (dizem até dez mil), e conforme envelhece, cresce-lhe nas costas uma longa cauda de algas marinhas, que parece um manto flutuante.
Por isso, ela se tornou símbolo de longevidade, sabedoria e imortalidade no Japão.
Em pinturas e esculturas antigas, o Minogame aparece nadando entre ondas e nuvens, um mensageiro do mar e protetor dos justos.
Relação com a lenda de Urashima Tarō
Em muitas versões tradicionais, especialmente a partir do período Edo (séculos XVII–XIX), a tartaruga que Urashima salva é interpretada como um Minogame, uma tartaruga sagrada que viveu tanto tempo que já se tornou espírito do mar.
Assim, quando Urashima a salva, ele não ajuda apenas um animal: ele demonstra respeito por uma força antiga e divina da natureza.
É essa tartaruga, o Minogame, que o conduz ao Palácio do Dragão (Ryūgū-jō), reino da Princesa Otohime, filha do deus dragão dos mares, Ryūjin.
Por isso, em certas versões artísticas, especialmente em xilogravuras (ukiyo-e), Urashima é esta montado sobre o Minogame, viajando pelas ondas até o fundo do mar.
Simbolismo cultural
O Minogame é um dos animais da boa fortuna (fukuju shichifukujin, os sete símbolos da sorte) e está associado a:
Na arte japonesa, ele aparece com frequência junto à garça (tsuru), outro símbolo de longa vida. O ditado diz:
“A garça vive mil anos, a tartaruga dez mil”
(Tsuru wa sennen, kame wa mannen – 鶴は千年、亀は万年)
Urashima Taro, o pescador
Há muito, muito tempo atrás, na província de Tango, vivia na costa do Japão, na pequena vila de pescadores de Mizu-no-ye, um jovem pescador chamado Urashima Taro. Seu pai também fora pescador, e sua habilidade fora transmitida em dobro ao filho, pois Urashima era o pescador mais habilidoso de toda aquela região, capaz de pescar mais bonitos e atuns em um dia do que seus companheiros em uma semana.
Mas na pequena vila de pescadores, mais do que por ser um pescador habilidoso, ele era conhecido por seu bom coração. Em toda a sua vida, jamais havia ferido nada, nem grande nem pequeno, e quando menino, seus companheiros sempre riam dele, pois ele nunca se juntava a eles para provocar os animais, mas sempre tentava impedi-los dessa brincadeira cruel.
Num suave crepúsculo de verão, ele voltava para casa ao final de um dia de pesca quando se deparou com um grupo de crianças. Todos gritavam e falavam em voz alta, e pareciam estar muito agitados com alguma coisa. Ao se aproximar para ver o que estava acontecendo, ele viu que estavam atormentando uma tartaruga. Primeiro, um menino a puxava para um lado, depois outro para o outro lado, enquanto um terceiro a batia com um pedaço de pau e o quarto martelava seu casco com uma pedra.
Urashima ficou com muita pena da pobre tartaruga e decidiu resgatá-la. Ele disse aos meninos:
“Vejam só, meninos, vocês estão maltratando essa pobre tartaruga, ela vai morrer logo!”
Os meninos, todos na idade em que as crianças parecem se divertir sendo cruéis com os animais, não deram atenção à gentil repreensão de Urashima e continuaram a provocá-la como antes. Um dos meninos mais velhos respondeu:
“Quem se importa se ela vive ou morre? Nós não. Vamos lá, meninos, continuem, continuem!”
E começaram a tratar a pobre tartaruga com ainda mais crueldade. Urashima esperou um instante, pensando em qual seria a melhor maneira de lidar com os meninos. Ele tentaria convencê-los a lhe entregar a tartaruga, então sorriu para eles e disse:
“Tenho certeza de que vocês são todos meninos bons e gentis! Agora, por que não me dão a tartaruga? Eu gostaria muito de tê-la!”
“Não, não vamos te dar a tartaruga”, disse um dos meninos. “Por que deveríamos? Nós mesmos a pegamos.”
“O que vocês dizem é verdade”, disse Urashima, “mas eu não estou pedindo que me deêm de graça. Vou dar-lhes algum dinheiro por ela — em outras palavras, o Ojisan (tio) vai comprá-la de vocês. Não está bom para vocês, meus meninos?” Ele mostrou-lhes o dinheiro, preso por um barbante que passava por um furo no centro de cada moeda. “Vejam, meninos, vocês podem comprar o que quiserem com esse dinheiro. Podem fazer muito mais com esse dinheiro do que com aquela pobre tartaruga. Vejam como vocês são bons meninos por me obedecerem.”
Os meninos não eram maus, eram apenas travessos, e enquanto Urashima falava, eles se deixaram conquistar por seu sorriso gentil e palavras amáveis e começaram a "se deixar levar por seu espírito", como se diz no Japão. Aos poucos, todos se aproximaram dele, com o líder do pequeno grupo estendendo-lhe a tartaruga.
Então Urashima acariciou as costas da tartaruga, dizendo enquanto o fazia:
"Oh, coitadinha! Coitadinha! Pronto, pronto! Você está segura agora! Dizem que uma cegonha vive mil anos, mas a tartaruga, dez mil. Você tem a vida mais longa de qualquer criatura neste mundo, e corria grande perigo de ter essa vida preciosa interrompida por aqueles meninos. Felizmente, eu estava passando por perto e a salvei, então a vida ainda é sua. Agora vou levá-la de volta para sua casa, o mar, imediatamente. Não se deixe pegar novamente, pois pode não haver ninguém para salvá-la da próxima vez!"
Enquanto o bondoso pescador falava, caminhava rapidamente até a margem e sobre as rochas; depois, colocando a tartaruga na água, observou o animal desaparecer e voltou para casa, pois estava cansado e o sol já havia se posto.
Na manhã seguinte, Urashima saiu como de costume em seu barco. O tempo estava bom, e o mar e o céu estavam azuis e suaves na delicada névoa da manhã de verão. Urashima entrou em seu barco e, sonhadoramente, empurrou-o para o mar, lançando sua linha enquanto o fazia. Logo ultrapassou os outros barcos de pesca e os deixou para trás até que desapareceram de vista na distância, e seu barco derivou cada vez mais para longe sobre as águas azuis. De alguma forma, sem saber porquê, sentia-se excepcionalmente feliz naquela manhã; e não pôde deixar de desejar que, como a tartaruga que libertara no dia anterior, tivesse milhares de anos para viver em vez de sua própria curta vida humana.
Ele foi subitamente despertado de seu devaneio ao ouvir seu próprio nome ser chamado:
“Urashima, Urashima!”
Claro como um sino e suave como a brisa de verão, o nome flutuou sobre o mar.
Ele se levantou e olhou em todas as direções, pensando que um dos outros barcos o havia alcançado, mas por mais que contemplasse a vasta extensão de água, perto ou longe, não havia sinal de nenhum barco, então a voz não poderia ter vindo de nenhum ser humano.
Assustado e se perguntando quem ou o que o havia chamado tão claramente, ele olhou ao redor e viu que, sem que percebesse, uma tartaruga havia se aproximado da lateral do barco. Urashima viu com surpresa que era a mesma tartaruga que ele havia resgatado no dia anterior.
“Bem, Sr. Tartaruga”, disse Urashima, “foi você quem me chamou agora há pouco?”
A tartaruga assentiu com a cabeça várias vezes e disse:
“Sim, fui eu. Ontem, sob sua honrosa proteção, minha vida foi salva, e vim lhe agradecer e dizer o quanto sou grato por sua gentileza.”
“De fato”, disse Urashima, “isso é muito gentil da sua parte. Suba até o barco. Eu lhe ofereceria um cigarro, mas como você é uma tartaruga, sem dúvida não fuma”, e o pescador riu da piada.
“He-he-he-he!” riu a tartaruga; “saquê (vinho de arroz) é minha bebida favorita, mas não gosto de tabaco.”
“De fato”, disse Urashima, “lamento muito não ter saquê no meu barco para lhe oferecer, mas venha secar suas costas ao sol — as tartarugas sempre adoram fazer isso.”
Então a tartaruga subiu no barco, com a ajuda do pescador, e depois de algumas palavras de cortesia, disse:
“Você já viu Rin Gin, o Palácio do Rei Dragão do Mar, Urashima?”
O pescador balançou a cabeça e respondeu: “Não, ano após ano, o mar tem sido meu lar, mas embora eu tenha ouvido falar muitas vezes do reino do Rei Dragão sob o mar, nunca vi aquele lugar maravilhoso. Deve ser muito longe, se é que existe!”
“É mesmo? Você nunca viu o Palácio do Rei do Mar? Então você perdeu uma das maravilhas de todo o universo. Fica bem longe, no fundo do mar, mas se eu te levar lá, logo chegaremos. Se você quiser ver a terra do Rei do Mar, eu serei seu guia.”
“Eu gostaria muito de ir lá, certamente, e você é muito gentil em pensar em me levar, mas lembre-se de que sou apenas um pobre mortal e não tenho a capacidade de nadar como uma criatura marinha como você—”
Antes que o pescador pudesse dizer mais alguma coisa, a tartaruga o interrompeu, dizendo:
“O quê? Você não precisa nadar. Se você subir nas minhas costas, eu o levarei sem nenhum incômodo da sua parte.”
“Mas”, disse Urashima, “como é possível eu subir nas suas costas pequenas?”
“Pode parecer absurdo para você, mas garanto que você consegue. Experimente agora mesmo! Venha e suba nas minhas costas, e veja se é tão impossível quanto você pensa!”
Assim que a tartaruga terminou de falar, Urashima olhou para o seu casco e, estranhamente, viu que a criatura havia crescido tanto que um homem poderia facilmente sentar-se em suas costas.
“Isso é realmente estranho!”, disse Urashima; “então, Sr. Tartaruga, com sua gentil permissão, subirei em suas costas.”
A tartaruga, com o rosto impassível, como se aquele estranho acontecimento fosse um evento corriqueiro, disse:
“Agora partiremos sem pressa”, e com essas palavras saltou para o mar com Urashima nas costas. Mergulhou na água. Por um longo tempo, esses dois estranhos companheiros navegaram pelo mar. Urashima não se cansou, nem suas roupas ficaram molhadas. Finalmente, ao longe, surgiu um magnífico portão, e atrás dele, os longos telhados inclinados de um palácio no horizonte.
“Ei!”, exclamou Urashima. “Parece o portão de um grande palácio que acabou de aparecer! Senhor Tartaruga, pode me dizer que lugar é esse que estamos vendo agora?”
“Aquele é o grande portão do Palácio Rin Gin. O grande telhado que você vê atrás do portão é o próprio Palácio do Rei do Mar.”
“Então, finalmente chegamos ao reino do Rei do Mar e ao seu Palácio”, disse Urashima.
“Sim, de fato”, respondeu a tartaruga, “e não acha que chegamos muito rápido?” E enquanto falava, a tartaruga chegou ao lado do portão. “E aqui estamos. Por favor, sigam por aqui.”
A tartaruga então foi à frente e, falando com o porteiro, disse:
“Este é Urashima Taro, do Japão. Tive a honra de trazê-lo como visitante a este reino. Por favor, mostre-lhe o caminho.”
Então, o porteiro, que era um peixe, imediatamente os guiou pelo portão.
O pargo-vermelho, a solha, o linguado, a sépia e todos os principais vassalos do Rei Dragão do Mar saíram com reverências corteses para saudar o forasteiro.
“Urashima-sama, Urashima-sama! Bem-vindo ao Palácio do Mar, lar do Rei Dragão do Mar. Triplamente bem-vindo, por ter vindo de uma terra tão distante. E a você, Sr. Minogami, somos muito gratos por todo o trabalho que teve para trazer Urashima até aqui.” Então, voltando-se para Urashima, disseram: “Por favor, siga-nos por aqui”, e a partir daí toda a turma de peixes se tornou seu guia.
Urashima, sendo apenas um pobre rapaz pescador, não sabia como se comportar em um palácio; mas, por mais estranho que tudo lhe parecesse, não se sentiu envergonhado ou constrangido, e seguiu seus gentis guias com calma até o interior do palácio. Ao chegar aos portões, uma bela princesa com suas damas de companhia saiu para recebê-lo. Ela era mais bela do que qualquer ser humano, e vestia um manto esvoaçante em tons de vermelho e verde suave, como a parte inferior de uma onda, com fios dourados que brilhavam nas dobras. Seus lindos cabelos negros caíam sobre os ombros como os de uma filha de rei de centenas de anos atrás, e quando falava, sua voz soava como música sobre as águas. Urashima ficou maravilhado ao contemplá-la, e não conseguiu falar. Então, lembrou-se de que deveria se curvar, mas antes que pudesse fazer uma reverência, a princesa o tomou pela mão e o conduziu a um belo salão, até o assento de honra no fundo, e o convidou a sentar-se.
“Urashima Taro, é com imensa alegria que lhe dou as boas-vindas ao reino de meu pai”, disse a princesa. “Ontem você libertou uma tartaruga, e eu o chamei para agradecer por ter salvado minha vida, pois eu era aquela tartaruga. Agora, se quiser, poderá viver aqui para sempre na terra da eterna juventude, onde o verão nunca acaba e onde a tristeza jamais chega, e eu serei sua noiva, se assim desejar, e viveremos juntos felizes para sempre!”
Enquanto Urashima ouvia suas doces palavras e contemplava seu belo rosto, seu coração se encheu de grande admiração e alegria, e ele lhe respondeu, perguntando-se se tudo não passara de um sonho:
“Agradeço mil vezes por suas gentis palavras. Nada eu desejaria mais do que poder ficar aqui com você nesta bela terra, da qual ouvi falar tantas vezes, mas que nunca vi até hoje. Além de qualquer palavra, este é o lugar mais maravilhoso que já vi.”
Enquanto ele falava, uma procissão de peixes apareceu, todos vestidos com trajes cerimoniais esvoaçantes. Um a um, silenciosamente e com passos majestosos, eles entraram no salão, trazendo em bandejas de coral iguarias de peixes e algas marinhas, como ninguém jamais poderia imaginar, e este banquete maravilhoso foi servido aos noivos. O casamento foi celebrado com esplendor deslumbrante, e no reino do Rei do Mar houve grande júbilo. Assim que o jovem casal trocou votos com o vinho da taça de casamento, a música começou a tocar, canções foram cantadas e peixes com escamas prateadas e caudas douradas emergiram das ondas para dançar. Urashima aproveitou a ocasião ao máximo. Nunca em toda a sua vida havia participado de um banquete tão maravilhoso.
Quando o banquete terminou, os príncipes perguntaram ao noivo se ele gostaria de passear pelo palácio e ver tudo o que havia para ver. Então, o feliz pescador, seguindo sua noiva, a filha do Rei do Mar, foi apresentado a todas as maravilhas daquela terra encantada, onde juventude e alegria caminham juntas e nem o tempo nem a idade podem tocá-las. O palácio era construído de coral e adornado com pérolas, e as belezas e maravilhas do lugar eram tão grandes que a língua não consegue descrevê-las.
Mas, para Urashima, mais maravilhoso do que o palácio era o jardim que o circundava. Ali, podia-se contemplar, ao mesmo tempo, a paisagem das quatro estações; as belezas do verão e do inverno, da primavera e do outono, se revelavam ao visitante maravilhado.
Primeiro, ao olhar para o leste, viu as ameixeiras e cerejeiras em plena floração, os rouxinóis cantando nas alamedas rosadas e borboletas voando de flor em flor.
Olhando para o sul, todas as árvores estavam verdes no auge do verão, e a cigarra diurna e o grilo noturno cantavam alto.
Olhando para o oeste, os bordos de outono estavam em chamas como um céu ao pôr do sol, e os crisântemos estavam em perfeita floração.
Olhando para o norte, a mudança fez Urashima se assustar, pois o chão estava branco como a neve, e as árvores e os bambus também estavam cobertos de neve e o lago estava congelado.
E a cada dia surgiam novas alegrias e novas maravilhas para Urashima, e tão grande era sua felicidade que ele se esqueceu de tudo, até mesmo do lar que deixara para trás, de seus pais e de seu próprio país, e três dias se passaram sem que ele sequer pensasse em tudo o que havia deixado. Então sua mente voltou a si e ele se lembrou de quem era, e que não pertencia àquela terra maravilhosa nem ao palácio do Rei do Mar, e disse para si mesmo:
“Oh, céus! Não posso ficar aqui, pois tenho um pai e uma mãe idosos em casa. O que pode ter acontecido com eles durante todo esse tempo? Quão ansiosos eles devem ter ficado nestes dias em que não voltei como de costume. Devo voltar imediatamente, sem deixar passar mais um dia.” E começou a se preparar para a viagem com grande pressa.
Então ele foi até sua bela esposa, a Princesa, e curvando-se profundamente diante dela, disse:
“De fato, fui muito feliz com você por muito tempo, Otohime Sama” (pois esse era o nome dela), “e você foi mais gentil comigo do que qualquer palavra pode expressar. Mas agora devo dizer adeus. Preciso voltar para meus pais.”
Então Otohime Sama começou a chorar e disse suavemente e triste:
“Não te faz bem, Urashima, que queiras me deixar tão cedo? Onde está a pressa? Fica comigo só mais um dia!”
Mas Urashima se lembrou de seus pais idosos, e no Japão o dever para com os pais é mais forte do que tudo, mais forte até do que o prazer ou o amor, e ele não se deixou persuadir, mas respondeu:
“De fato, preciso ir. Não pense que quero deixá-la. Não é isso. Preciso ir ver meus pais idosos. Deixe-me ir por um dia e voltarei para você.”
“Então”, disse a princesa tristemente, “não há nada a fazer. Vou enviá-lo de volta hoje para seu pai e sua mãe, e em vez de tentar mantê-lo comigo por mais um dia, darei a você isto como prova do nosso amor — por favor, leve-o consigo;” e trouxe-lhe uma bela caixa de laca amarrada com um cordão de seda e borlas de seda vermelha.
“De fato, preciso ir. Urashima já havia recebido tanto da Princesa que sentiu certo remorso em aceitar o presente e disse:
“Não me parece certo aceitar mais um presente seu depois de todos os favores que recebi, mas, como é seu desejo, assim farei”, e acrescentou:
“Diga-me, o que é esta caixa?”
“Essa”, respondeu a Princesa, “é a tamate-bako (cofre de tesouros), e contém algo muito precioso. Você não deve abrir esta caixa, aconteça o que acontecer! Se a abrir, algo terrível lhe acontecerá! Agora, prometa-me que nunca abrirá esta caixa!”
E Urashima prometeu que jamais abriria a caixa, acontecesse o que acontecesse.
Então, despedindo-se de Otohime-sama, desceu até a praia, seguido pela princesa e suas damas de companhia, e lá encontrou uma grande tartaruga à sua espera.
Rapidamente, montou nas costas da criatura e foi levado sobre o mar brilhante em direção ao leste. Olhou para trás para acenar para Otohime-sama até que, por fim, não a viu mais, e a terra do Rei do Mar e os telhados do maravilhoso palácio se perderam na distância. Então, com o rosto voltado ansiosamente para sua própria terra, procurou as colinas azuis que se elevavam no horizonte à sua frente.
Finalmente, a tartaruga o levou para a baía que ele conhecia tão bem, e para a praia de onde partira. Ele pisou na areia e olhou ao redor enquanto a tartaruga retornava ao reino do Rei do Mar.
Mas que estranho medo é esse que toma conta de Urashima enquanto ele permanece parado, olhando ao redor? Por que ele fixa o olhar nas pessoas que passam por ele, e por que elas, por sua vez, param e o observam? A praia é a mesma, as colinas são as mesmas, mas as pessoas que ele vê caminhando têm rostos muito diferentes daqueles que ele conhecia tão bem antes.
Intrigado com o significado daquilo, ele caminha rapidamente em direção à sua antiga casa. Até mesmo aquela parece diferente, mas uma casa permanece no mesmo lugar, e ele exclama:
“Pai, acabei de voltar!” e estava prestes a entrar quando viu um homem estranho saindo.
“Talvez meus pais tenham se mudado enquanto eu estava fora e ido para outro lugar”, pensou o pescador. De alguma forma, começou a sentir uma estranha ansiedade, sem saber explicar o porquê.
“Com licença”, disse ele ao homem que o encarava, “mas até poucos dias atrás eu morava nesta casa. Meu nome é Urashima Taro. Para onde foram meus pais, que eu deixei aqui?”
Uma expressão de perplexidade tomou conta do rosto do homem, e, ainda olhando fixamente para Urashima, ele disse:
“O quê? Você é Urashima Taro?”
“Sim”, disse o pescador, “eu sou Urashima Taro!”
“Ha, ha!” riu o homem, “você não deve fazer essas piadas. É verdade que, certa vez, um homem chamado Urashima Taro viveu nesta vila, mas essa é uma história de trezentos anos atrás. Ele não poderia estar vivo agora!”
Ao ouvir essas palavras estranhas, Urashima ficou assustado e disse:
“Por favor, por favor, não brinque comigo, estou muito perplexo. Eu sou realmente Urashima Taro e certamente não vivi trezentos anos. Até quatro ou cinco dias atrás, eu morava neste mesmo lugar. Diga-me o que quero saber sem mais brincadeiras, por favor.”
Mas o rosto do homem ficou cada vez mais sério, e ele respondeu:
“Você pode ou não ser Urashima Taro, eu não sei. Mas o Urashima Taro de quem ouvi falar foi um homem que viveu há trezentos anos. Talvez você seja o espírito dele, vindo revisitar sua antiga casa?”
“Por que você zomba de mim?”, disse Urashima. “Eu não sou um espírito! Sou um homem vivo — você não vê meus pés?” E “don-don”, bateu o pé no chão, primeiro com um pé e depois com o outro, para mostrar ao homem. (Fantasmas japoneses não têm pés.)
“Mas Urashima Taro viveu há trezentos anos, isso é tudo que eu sei; está escrito nas crônicas da vila”, insistiu o homem, que não conseguia acreditar no que o pescador dizia.
Urashima estava perdido em perplexidade e confusão. Ele olhava ao redor, terrivelmente perplexo, e, de fato, algo na aparência de tudo era diferente do que ele se lembrava antes de partir, e a terrível sensação o invadiu, a de que o que o homem dissera talvez fosse verdade. Ele parecia estar em um estranho sonho. Os poucos dias que passara no palácio do Rei do Mar, além-mar, não haviam sido dias: haviam sido centenas de anos, e nesse tempo seus pais morreram, assim como todas as pessoas que conhecera, e a aldeia registrou sua história. Não havia mais sentido em ficar ali. Ele precisava voltar para sua bela esposa além-mar.
Ele retornou à praia, carregando na mão a caixa que a Princesa lhe dera. Mas qual era o caminho? Ele não conseguiria encontrá-lo sozinho! De repente, lembrou-se da caixa, a tamate-bako.
“A princesa me disse, quando me deu a caixa, para nunca abri-la — que continha algo muito precioso. Mas agora que não tenho mais lar, agora que perdi tudo o que me era querido aqui, e meu coração se aperta de tristeza, neste momento, se eu abrir a caixa, certamente encontrarei algo que me ajudará, algo que me mostrará o caminho de volta para minha amada princesa além-mar. Não me resta mais nada a fazer. Sim, sim, abrirei a caixa e darei uma olhada!”
E assim seu coração consentiu com esse ato de desobediência, e ele tentou se convencer de que estava fazendo a coisa certa ao quebrar sua promessa.
Lentamente, muito lentamente, ele desatou o cordão de seda vermelha, lenta e admirado, ergueu a tampa da preciosa caixa. E o que encontrou? Por mais estranho que pareça, apenas uma linda nuvenzinha roxa surgiu da caixa. Por um instante, cobriu seu rosto e pairou sobre ele como se relutasse em partir, e então flutuou para longe como vapor sobre o mar.
Urashima, que até aquele momento fora um jovem forte e belo de vinte e quatro anos, de repente envelheceu muito, muito. Suas costas se curvaram com a idade, seus cabelos ficaram brancos como a neve, seu rosto enrugou e ele caiu morto na praia.
Pobre Urashima! Por causa de sua desobediência, ele jamais poderia retornar ao reino do Rei do Mar ou à adorável Princesa além-mar.
Urashima é um conto popular interessante sobre a necessidade de obediência e de levar as decisões até o fim.
Referências
Ozaki, Yei Theodora. (1908). Contos de Fadas Japoneses. Nova York: Grosset & Dunlap Publishers.
Sources: Wikipedia, Vasholino, The Lord Geekington
A ILHA DA TARTARUGA
A lenda americana da criação da Terra sobre o casco da tartaruga é uma das mais antigas e importantes histórias dos povos indígenas da América do Norte, especialmente entre os Iroqueses, Lenape, Ojíbua e Haudenosaunee.
Ela é conhecida em inglês como “The Earth on Turtle’s Back” ou “The Turtle Island Creation Story”, e descreve a origem da Terra a partir do oceano primitivo, com a ajuda dos animais e da Sky Woman (Mulher do Céu).
The World on the Turtle’s Back
Iroquois Creation Story – Haudenosaunee People
In the beginning, there was no world, no land, no creatures of the kind that are around us now.
There was only the Sky World, high above the endless waters below.
In the Sky World grew a great and sacred tree. Its roots spread in every direction, and it bore flowers and fruits that gave light to the people of the Sky World.
One day, a pregnant woman asked her husband to dig up some roots from beneath the Great Tree.
When he did, a hole opened up in the sky, and as the woman leaned to look through it, she slipped and fell, down through the hole, toward the vast waters below.
The birds saw her falling and flew up to help. They caught her gently on their wings and brought her down to rest on the back of the Great Turtle.
The animals gathered and decided they must bring up earth from the bottom of the sea for her to live upon.
Many tried and failed, until the little muskrat dove deep, deeper than all the others, and though he died in the effort, he floated up with a bit of earth in his paw.
The Sky Woman took the earth and spread it over the turtle’s back.
She walked in a circle, moving in the direction of the sun, and the earth began to grow and grow, until it became the great island we live upon, Turtle Island.
Sky Woman gave birth to a daughter, and in time, that daughter became pregnant by a mysterious being from the Sky World.
She gave birth to twin sons, one gentle and kind, the other restless and wild. The right-handed twin created what was good and beautiful: the sun, the moon, the animals, and the rivers that flowed smoothly.
The left-handed twin created what was difficult and dark: thorns on the plants, dangerous animals, and rough mountains.
The two brothers shaped the world together, balancing each other’s powers, light and shadow, life and death, day and night.
And when their work was done, they continued to live within the world they had made, each ruling his own side in balance.
The Sky Woman looked down from above and saw that the world was full — not perfect, but alive, complete, and balanced.
And so it has remained: the Earth resting on Turtle’s back, turning forever in the great waters.

TRADUÇÃO
O Mundo SOBRE O CASCO da Tartaruga
No princípio, não havia mundo, nem terra, nem criaturas como as que existem hoje. Existia apenas o Mundo Celeste, muito acima das águas infinitas abaixo.
No Mundo Celeste crescia uma grande e sagrada árvore. Suas raízes se espalhavam em todas as direções e ela dava flores e frutos que iluminavam o povo do Mundo Celeste.
Um dia, uma mulher grávida pediu ao marido que desenterrasse algumas raízes debaixo da Grande Árvore. Quando ele o fez, um buraco se abriu no céu e, enquanto a mulher se inclinava para olhar através dele, escorregou e caiu, através do buraco, em direção às vastas águas abaixo.
Os pássaros a viram cair e voaram para ajudá-la. Eles a pegaram delicadamente com suas asas e a levaram para descansar nas costas da Grande Tartaruga.
Os animais se reuniram e decidiram que precisavam trazer terra do fundo do mar para que ela pudesse viver sobre a terra. Muitos tentaram e falharam, até que o pequeno rato-almiscarado mergulhou, mais fundo do que todos os outros, e embora tenha morrido na tentativa, flutuou para cima com um pouco de terra na pata.
A Mulher do Céu pegou a terra e a espalhou sobre o casco da tartaruga. Ela caminhou em círculo, movendo-se na direção do sol, e a terra começou a crescer e crescer, até se tornar a grande ilha em que vivemos, a Ilha da Tartaruga.
A Mulher do Céu deu à luz uma filha e, com o tempo, essa filha engravidou de um ser misterioso do Mundo do Céu. Ela deu à luz gêmeos, um gentil e bondoso, o outro inquieto e selvagem.
O gêmeo destro criou o que era bom e belo: o sol, a lua, os animais e os rios que fluíam suavemente. O gêmeo canhoto criou o que era difícil e sombrio: espinhos nas plantas, animais perigosos e montanhas acidentadas.
Os dois irmãos moldaram o mundo juntos, equilibrando os poderes um do outro — luz e sombra, vida e morte, dia e noite.
E quando seu trabalho terminou, eles continuaram a viver no mundo que haviam criado, cada um governando seu próprio lado em equilíbrio.
A Mulher do Céu olhou de cima e viu que o mundo estava cheio, não perfeito, mas vivo, completo e equilibrado.
E assim permaneceu: a Terra repousando sobre o casco da Tartaruga, girando para sempre nas grandes águas.
Significado Simbólico dos Elementos
Fontes tradicionais e estudos
“The Earth on Turtle’s Back”, em The World on the Turtle’s Back – Iroquois Creation Story (John BierhorstThe Norton Anthology of American Literature).
Cusick, David. “Sketches of the Ancient History of the Six Nations.” (1848). Parker, Arthur C. “Iroquois Folk Tales.” (1923).
A TARTARUGA CÓSMICA AO
AO é uma tartaruga marinha mítica gigante da mitologia chinesa, que se acredita ter habitado o Mar da China Meridional durante a formação do mundo e desempenhado um papel fundamental na criação cósmica, fornecendo suas pernas à deusa Nüwa para sustentar os céus danificados.
Representada com cabeça de dragão e corpo de tartaruga, Ao simboliza imenso poder, longevidade e tenacidade, muitas vezes servindo como elemento fundamental em representações do universo onde a Terra repousa sobre suas costas, sustentada por quatro elefantes.
Na cosmologia chinesa antiga, Ao é associada à água, aparecendo frequentemente na arte, práticas de adivinhação e feng shui para invocar estabilidade e prosperidade.
Seu status lendário se estende às associações com riqueza, onde imagens de múltiplas tartarugas Ao são consideradas capazes de atrair riquezas, refletindo a reverência cultural mais ampla das tartarugas como criaturas sagradas ligadas ao cosmos e ao simbolismo imperial.
Sem a contribuição sacrificial de Ao nos mitos, o céu entraria em colapso, ressaltando sua função essencial na manutenção do equilíbrio entre o céu e a terra.
A TARTARUGA CÓSMICA AO
Há muito, quando o céu e a terra ainda não estavam separados, vivia nos mares do norte uma tartaruga gigante chamada Ao.
Ela era tão antiga que ninguém sabia de onde viera. Seu casco era duro como uma rocha e brilhava como pedra de jade.
Dizem que, um dia, o Deus Criador Yu, o Grande, precisou reconstruir o mundo depois de uma grande enchente.
Mas o céu havia rachado e estava prestes a cair sobre a terra.
Então, o deus pediu ajuda à tartaruga Ao.
Com sabedoria e coragem, Ao doou suas quatro patas, e com elas o deus ergueu os quatro cantos do céu, restaurando o equilíbrio do mundo.
Desde então, as pessoas acreditam que a Terra repousa sobre o corpo de uma grande tartaruga, que segura o céu com firmeza e paciência, mantendo o universo em ordem.
A Tartaruga Cósmica Ao é, até hoje, um símbolo de força, sabedoria e estabilidade.
Ela não corre nem se apressa, mas carrega o mundo inteiro com calma e segurança.
Nos templos chineses antigos, a tartaruga aparece esculpida na base das pedras, porque tudo o que é sólido precisa de uma base firme e paciente, como o casco de Ao.
A TARTARUGA DE HERMES

Há muito, muito tempo, nasceu o deus Hermes, filho de Zeus e da ninfa Maia.
Desde pequeno, Hermes era curioso e esperto, e gostava de descobrir segredos escondidos nas coisas simples.
Um dia, enquanto caminhava pelo campo, ele encontrou uma tartaruga dormindo tranquila perto de um riacho.
Hermes observou o animal e disse com carinho:
“Pequena amiga, você carrega sua casa nas costas. Dentro do seu silêncio deve haver um grande mistério.”
Inspirado por essa ideia, Hermes fez algo extraordinário.
Com o casco vazio da tartaruga e cordas feitas de tripas de carneiro, ele criou o primeiro instrumento musical do mundo — a LIRA.
Quando ele tocou, uma melodia suave se espalhou pelo ar, encantando deuses, ninfas e até o vento.
O som era tão belo que acalmava os corações e trazia harmonia aos lugares por onde passava.
A tartaruga, mesmo transformada, continuou viva dentro da música, ensinando que da calma e do silêncio pode nascer a beleza.
Por isso, na Grécia Antiga, a tartaruga era vista como símbolo da paciência criadora, da sabedoria que nasce do tempo e da serenidade.
Meditação

Quando em perigo, a tartaruga se recolhe em sua carapaça. Isso nada mais é do que o conceito de meditação. Quando temos que enfrentar problemas no mundo exterior, podemos obter a força necessária conectando-nos com nosso próprio eu interior.
A meditação é uma maneira de se afastar do mundo exterior e encontrar paz e força em nosso ser interior. Portanto, a meditação e a capacidade de se desconectar dos nossos sentidos são mais um ótimo remédio.
A tartaruga quer que dependamos de nossa própria força interior e não darmos importância à felicidade e à alegria apenas no mundo exterior.
Devido à sua longa vida, movimentos lentos, robustez e aparência enrugada, e respiração lenta, elas são um emblema de longevidade e estabilidade em muitas culturas ao redor do mundo.
A tartaruga encontra contentamento e paz em suas jornadas.
A tartaruga faz de sua casa qualquer lugar onde decide parar e descansar.
Simbolismo da tartaruga
A tartaruga é um símbolo poderoso em diversas culturas e sistemas de crenças. No geral, o simbolismo da tartaruga é rico e variado, refletindo as suas características únicas e as qualidades universais que incorpora.
Quer represente longevidade, sabedoria, proteção ou tranquilidade, a tartaruga serve como um símbolo poderoso e significativo em muitos contextos culturais. Eis alguns dos principais significados simbólicos associados às tartarugas:
LONGEVIDADE E RESISTÊNCIA
As tartarugas são frequentemente vistas como símbolos de longevidade e resistência devido à sua longa esperança de vida e aos seus movimentos lentos e constantes. Lembram-nos do valor da paciência, resiliência e persistência ao longo do tempo.
SABEDORIA E CONHECIMENTO
Em muitas culturas, as tartarugas são consideradas criaturas sábias. O seu ritmo lento e comportamento ponderado sugerem uma profunda ligação com a sabedoria e o conhecimento ancestrais.
PROTEÇÃO E ESTABILIDADE
O casco da tartaruga simboliza proteção e segurança. As tartarugas carregam as suas casas às costas, o que pode representar a autossuficiência e a capacidade de criar um ambiente seguro e estável.
TERRA E ATERRAMENTO
As tartarugas estão frequentemente ligadas à terra e às energias de aterramento. A sua estreita relação com a terra e a água torna-as símbolos de harmonia com a natureza e da importância de se manter aterrado e equilibrado.
CRIAÇÃO E FERTILIDADE
Em algumas mitologias, as tartarugas são vistas como criadoras do mundo ou como símbolos de fertilidade e criação.
TRANSFORMAÇÃO E ADAPTAÇÃO
A capacidade das tartarugas viverem tanto na terra como na água simboliza a adaptabilidade e a transformação. Esta natureza dual pode representar a capacidade de navegar por diferentes aspetos da vida e de transitar suavemente entre diferentes estados de ser.
PAZ E TRANQUILIDADE
As tartarugas são frequentemente associadas à paz, tranquilidade e calma. Os seus movimentos lentos e deliberados podem inspirar uma sensação de paz e encorajar uma abordagem consciente e sem pressas da vida.
LIGAÇÃO COM O DIVINO
Em algumas tradições espirituais, as tartarugas são vistas como animais sagrados ligados ao divino. Podem simbolizar a orientação espiritual, a proteção e uma ligação com a sabedoria superior.
https://fauna-protect.com/fr-ch/blogs/animaux-totems/tortue-animal-totem